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Designer usa quarentena para colorir fotos históricas: ‘Higiene mental’

Porto de Santos: Embarque de café no Cais do Valongo em 1889, antes e depois da colorização — Foto: Divulgação/Marc Ferrez

O designer gráfico Bruno Arena, de 30 anos, descobriu um novo hobby na quarentena: colorir fotos históricas de Santos, no litoral de São Paulo. Na tela do computador, o santista dá vida às imagens do passado e tenta trazer os registros para a atualidade por meio das cores. As fotografias, algumas com mais de 100 anos, retratam a Ponta da Praia, o José Menino, o Porto de Santos, entre outros locais.

Ao G1, Arena explicou que já gostava de restaurar fotos, mas havia parado há muitos anos, quando saiu do ramo de edição de imagens e foi trabalhar como gerente de mídias digitais. Com o trabalho em regime home office e o isolamento social, Bruno se viu tendo que refazer algumas publicações de páginas que gerencia na web. A partir daí, o designer teve a ideia de usar cores para dar uma nova ‘cara’ para as imagens.

“Trabalho em uma produtora e um dos nossos clientes é um clube famoso na cidade. Estava procurando umas imagens para fazer uns posts. Por causa do coronavírus, ficamos meio sem conteúdo. Pensamos em fazer algo diferente. Comecei a pesquisar sobre o bairro José Menino e caí em uma imagem de lá. Botei na programação, escrevi o texto e comecei a olhar a foto, pensando que poderia botar uma cor, para ficar mais bacana”, afirma.

Bairro José Menino, em Santos, na década de 30, depois da colorização — Foto: Divulgação/Memória Santista/Bruno Arena

A maioria das fotos que Bruno trata é do acervo do site Memória Santista, no qual os conteúdo são disponibilizados em alta resolução. As imagens mais complexas, conforme relata, são as mais difíceis e demoradas. “Editei uma da Ponta da Praia e demorou cerca de 14 horas para ficar pronta, isso ao longo dos dias”, explica. O hobby é sempre feito depois do trabalho e conciliado com a rotina da família.

“Depois do expediente, como já estou no computador, pego a foto e continuo de onde parei no dia anterior. Por dia, eu mexo em torno de umas 4 horas”, afirma. Bruno compara o novo passatempo à montagem de um quebra-cabeça: no jogo, é comum que as pessoas separem as peças por cores, para ficar fácil de montar. Nas fotografias, o designer separa os elementos que combinam e vai colorindo um a um.

“Quando você vê o resultado, fica encantado”. O trabalho dele foi divulgado nas redes sociais e impressionou muita gente, que compartilhou e comentou nas publicações. “Algumas pessoas disseram: ‘os antigos diziam que isso aqui era tudo mato, mas eu nunca tinha visto que era tudo mato’. É incrível isso. Quando vemos uma foto em preto e branco, identificamos que é antiga, mas quando se dá profundidade para a foto, vemos algo mais atual”, afirma.

Bruno encara a atividade como uma higiene mental, na qual pode se distrair em meio à tensão causada pela pandemia do coronavírus. “Acho que olhar essas imagens faz bem. Permite que a gente consiga aliviar essa tensão toda. Se por um momento, por um átimo, o meu trabalho fizer as pessoas saírem um pouco desse marasmo, dessa tristeza, e lembrar de algo feliz, para mim, já cumpriu a função”, finaliza.

Bairro José Menino, em Santos, na década de 30, antes da colorização — Foto: Divulgação/Memória Santista
Aquário Municipal de Santos, na década de 40, época da inauguração. Imagem original — Foto: Divulgação/Memória Santista
Aquário Municipal de Santos, década de 40, na época da inauguração. Imagem colorizada — Foto: Divulgação/Memória Santista/Bruno Arena
Imagem aérea da Ponta da Praia, em Santos (SP), na década de 60. Bairro ainda tinha poucos prédios e muita área verde. Imagem original — Foto: Divulgação/Memória Santista
Imagem aérea da Ponta de Praia, em Santos (SP), na década de 60. Bairro ainda tinha poucos prédios e muita área verde. Imagem colorizada — Foto: Divulgação/Memória Santista/Bruno Arena
Quarto edifício da Santa Casa da Misericórdia de Santos ainda em construção, na década de 40. Imagem original — Foto: Divulgação/Memória Santista
Quarto edifício da Santa Casa da Misericórdia de Santos ainda em construção, na década de 40. Imagem colorizada — Foto: Divulgação/Memória Santista/Bruno Arena

fonte G1

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