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Morto por Covid-19 é velado com caixão aberto em Sapucaia do Sul; família diz não ter sido informada

Homem de 52 anos morreu, na quarta-feira (27), na UPA do município. Fundação hospitalar e secretaria municipal da Saúde afirmam que protocolos foram obedecidos.

Capela foi interditada e deve passar por higienização — Foto: Joyce Heurich

A morte de um homem de 52 anos, na quarta-feira (27), em decorrência do coronavírus, ainda gera controvérsias em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A família realizou o velório com o caixão aberto por cerca de 20h, alegando não ter sido informada sobre a suspeita de Covid-19. Fundação responsável pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e secretaria municipal da Saúde negam desinformação.

De acordo com a família, o homem estava saudável e conversava com os parentes pelo celular ainda pela manhã. Às 10h46, ele teria enviado a última mensagem. Porém, cerca de 30 minutos depois, deu entrada na UPA já inconsciente, segundo a Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV), com uma parada cardiorrespiratória. Após tentativas de reanimá-lo por 40 minutos, foi declarada a morte às 11h55.

“Ele estava falando normalmente nos grupos, sem falta de ar, programando coisas a fazer à tarde. Nenhum problema. Em uma hora, estava morto. Não apresentou febre, falta de ar, nenhum sintoma”, diz uma familiar, que prefere não ser identificada.

Segundo ela, a família foi comunicada do óbito e os objetos pessoais do homem foram entregues, mas nenhuma informação a respeito da suspeita de coronavírus ou da coleta de amostra foi comunicada.

O velório foi realizado das 19h de quarta (27) até as 14h de quinta-feira (28), com o caixão aberto, e ele foi enterrado uma hora depois no cemitério municipal.

“Ninguém comunicou qualquer pessoa da família. Ficamos sabemos como todos os outros. Só entraram em contato no sábado (30) pela manhã depois de toda a repercussão”, justifica.

Fundação e secretaria da Saúde negam desinformação

A FHGV assegura, em nota divulgada no sábado, que “o corpo foi preparado com o rigor exigido pelos protocolos e colocado em saco impermeável com a devida identificação de suspeita do lado externo, até ser entregue à funerária”.

A fundação defende, ainda, que filho e esposa do homem foram informados do risco de contágio quando entraram para ver o corpo.

“Diante disso, a direção da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas e a coordenação da UPA de Sapucaia do Sul emitem esta nota de esclarecimento e informam que solicitarão à Vigilância em Saúde que notifique a funerária por ter descumprido decreto municipal (que prevê restrições para velórios nesses casos) e resolução estadual (que determina que o saco impermeável é inviolável e o caixão deve estar sempre fechado)”, informou, por meio de nota.

O diretor-geral da Fundação, Gilberto Barrichello, acrescenta que, no prontuário do paciente, constava a suspeita de Covid-19. O erro, no entanto, para ele, foi que os agentes funerários não observaram as condições em que o corpo foi encaminhado.

“A falha foi a funerária receber um corpo preparado, tamponado, com saco impermeável e uma plaquinha colada identificando risco biológico 3, que é de alto contágio. O corpo saiu dentro de todos os protocolos”, defende.

A secretária de Saúde de Sapucaia do Sul, Roberta Pires Bazzo, afirma que a capela foi interditada no sábado e um processo administrativo foi aberto para investigar o caso. Conforme a secretária, a funerária tem a responsabilidade de adotar as medidas de prevenção, independentemente da comunicação à família.

“No início da pandemia, a Vigilância em Saúde fez a orientação pra todas. É de responsabilidade dos estabelecimentos privados estarem a par. No momento em que o corpo sai com o saco preto impermeável com uma identificação bem grande, a funerária tem que tomar todas as providências. A legislação diz que é para não ter velório e ir direto pro enterro. Consta como risco biológico”, pontua.

A funerária confirmou que o velório foi feito com caixão aberto e diz que não havia indicação no atestado de óbito sobre a causa da morte ser coronavírus. Porém, procurada pela reportagem, a proprietária afirmou que não irá se pronunciar.

Já é um grande sofrimento lidar com o baque de uma pessoa que estava saudável, conversando conosco no mesmo dia, ser levada à UPA e não retornar. Dois dias depois, começa isso tudo e essa avalanche de pessoas que julgam sem conhecer”, defende-se a familiar do homem. “A gente tem medo até de ir pra frente de casa e sofrer algum tipo de represália por algo que a gente não tinha conhecimento. Quem conhece sabe que a família é amorosa e jamais prejudicaria qualquer pessoa.”

A família suspeita que cerca de 80 pessoas passaram pelo local durante o velório, com presença de até 30 pessoas simultaneamente. A Vigilância em Saúde testou 17 familiares próximos e todos deram negativo.

A secretaria rastreia os demais presentes para monitorar o estado de saúde deles e evitar uma disseminação do coronavírus. “Nossa preocupação maior é com as pessoas. Não tem um intuito de punição, mas é uma questão séria, grave, e temos que tomar as medidas cabíveis”, afirma a secretária.

Dezessete familiares fizeram teste rápido e todos deram negativo — Foto: Arquivo Pessoal

Leia a nota da FHGV na íntegra:

A Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV) vem a público esclarecer a situação que envolve o sétimo óbito por coronavírus em Sapucaia do Sul, ocorrido na quarta-feira (27) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.

A partir da chegada do paciente, às 11h15 da quarta-feira (27), a equipe da UPA entrou imediatamente em ação, sempre com a presença da coordenadora da unidade:

  • O paciente chegou inconsciente e prontamente foi levado à sala vermelha, onde foi constatada parada cardiorrespiratória.
  • Apesar das manobras de reanimação realizadas pela equipe durante 40 minutos na tentativa de fazê-lo sobreviver, o paciente, que trazia histórico de asma e hipertensão, não resistiu.
  • Seguindo os protocolos oficias em tempos da pandemia do covid-19, e sempre com a presença da coordenadora da Unidade, a equipe fez coleta para teste de coronavírus.
  • Ao mesmo tempo, esposa e filho que estavam do lado de fora da UPA até então, foram avisados do ocorrido e de que poderiam entrar para ver seu ente, mas com a ressalva de que deveriam manter distância e não poderiam tocá-lo, justamente porque estava sendo tratado como suspeito em relação à presença do vírus.
  • Em seguida o corpo foi preparado com o rigor exigido pelos protocolos e colocado em saco impermeável com a devida identificação de suspeita do lado externo, até ser entregue à funerária.

Desrespeitando as normativas legais, a família e a funerária teriam realizado velório com portas e caixão abertos, com a presença de diversas pessoas, o que gerou revolta na comunidade, sobretudo nas redes sociais. A partir da repercussão negativa, os responsáveis pelo velório foram a público dizer que não haviam sido avisados de que havia risco de contaminação.

Diante disso, a direção da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas e a coordenação da UPA de Sapucaia do Sul emitem esta nota de esclarecimento e informam que solicitarão à Vigilância em Saúde que notifique a funerária por ter descumprido decreto municipal (que prevê restrições para velórios nesses casos) e resolução estadual (que determina que o saco impermeável é inviolável e o caixão deve estar sempre fechado).

A FHGV reitera que vem tomando todas as medidas exigidas pela Anvisa e pela Secretaria Estadual da Saúde no sentido de prevenir e proteger a saúde e o bem-estar dos usuários, seus familiares, e trabalhadores da instituição.

Fonte G1 RS

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