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Aos 86 anos, cardiopata supera covid-19: ‘Chegou a se despedir’

Filha conta que Hulda Dalferth não tinha febre, mas sentia uma ‘agonia pelo corpo’. Ela acredita que rapidez no tratamento ajudou a salvar a vida da mãe

Hulda Dalferth, 86, no momento em que recebeu alta da UTI, em 16 de maio

“Quando foi para a UTI, ela já se despediu de nós. Tinha certeza de que não voltaria”, foi assim que Evelni Dalferth, 54, descreveu a reação da mãe, Hulda Dalferth, após receber o diagnóstico de covid-19. Aos 86 anos, a idosa, que teve um agravamento de um problema no coração após a doença, passou oito dias internada no Hospital Santa Terezinha, na cidade de Parauapebas, no Pará.

“Já consigo me alimentar sozinha, caminhar, tomar um banho. Estou começando a ficar mais forte. Nunca pensei que fosse conseguir vencer essa doença”, desabafa Hulda. Quando os sintomas começaram, no início de maio, não sentia febre nem tosse, mas uma indisposição que descrevia como “uma agonia pelo corpo”, a qual ela tinha atribuído, equivocadamente, à vacina contra a gripe que havia tomado nos dias anteriores.

“Ela ficou bem fraquinha, mas até então não eram sintomas do coronavírus. Quando foi por volta de meia noite de sexta-feira (8) começou a ter sintomas de febre. Repetia o tempo todo que nunca havia sentido aquilo e que iria morrer. Quando a levei à clínica, estava com os batimentos baixos, entre 30 a 35 [por minuto], e já não conseguia ficar sentada. O teste para detectar o coronavírus só foi realizado após uma tomografia, cujo laudo apontou que 25% do pulmão já estava tomado.”

Segundo Evelni, a mãe foi encaminhada diretamente para a UTI porque, de acordo com os médicos, o primeiro órgão que seria afetado pela doença seria o coração. 

“Ela tinha feito exames no mês de janeiro que apontaram um probleminha no coração, mas o médico disse que era coisa de idoso”, explica a filha Evelni. Agora, por conta da covid-19, Hulda faz tratamento para cardiopatia, que se agravou. 

Devido a essa doença no coração, Hulda não pôde passar pelo tratamento com a administração da cloroquina, segundo a filha. “Foi o que nos assustou. Ficamos bem desesperançosos por não poder usar o medicamento”, diz.

Medo da morte

“Chorei dia e noite e repetia para minha família que ia morrer”, conta Hulda, que também teve que passar por acompanhamento psicológico por videochamada durante os dias em que esteve internada. Segundo conta Evilna, o que mais causava ansiedade em sua mãe era acompanhar os números das mortes divulgadas nos telejornais. “Tivemos que acalmá-la todos os dias, até que melhorasse.” 

Acesso ao tratamento

Embora acredite que a rapidez no atendimento tenha contribuído para que a mãe sobrevivesse, Evelni reforça que a possibilidade de acesso à rede privada de saúde foi o que garantiu as melhores condições de tratamento para a idosa.

“Uma ressalva que precisamos fazer é: e se não tivéssemos dinheiro para pagar uma UTI particular? Nesses sete dias que ela ficou na UTI, gastamos R$ 39.735. A família toda acha que, se ela tivesse ido para um hospital público, não teria resistido.”

Recomeço aos 86

Em casa desde o dia 16 de maio, Hulda fica sob os cuidados de um dos sete filhos. Com 20 netos e 17 bisnetos, ainda não conseguiu rever toda a família por conta do isolamento. Medicada para a cardiopatia, ela conta que os próximos planos para a vida vão ficar para depois da pandemia. “Agora o momento é de recuperação. Fui muito bem atendida. Não tenho do que me queixar”, conta a idosa. 

Fonte R7

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