Cultura Gaúcha

Gildinho dos Monarcas: Quando piazito aproveitava a hora que meu irmão ia para o campo, corria e pegava a gaitinha dele e me escondia embaixo das árvores para tocar.

“Só vou parar de tocar no dia em que pai lá de cima decidir que é hora. Enquanto isso estarei na estrada e animando os bailes com a minha gaita”

Em 18 de janeiro de 1942, nascia o fundador do grupo os Monarcas que vive com muito amor e dedicação pela música gaúcha, ele canta com a alma transmitindo e preservando a verdadeira essência que existe na música gaúcha : Nésio Alves Corrêa, o Gildinho, como é conhecido. Nascido em Soledade, numa família humilde e numerosa, foi criado em meio às lides campeiras. Muito cedo ficou órfão de pai e talvez tenha herdado dele, que era acordeonista, um irresistível amor à música gaúcha. Com apenas 15 anos este piazito já “arranhava” uma cordeona nos autênticos e saudosos bailes de candeeiro. Em entrevista a redatora do Tradição Gaúcha “Sandra Rosa” Gildinho relembra o início de sua carreira o amor que sempre teve por tocar gaita e poder tocar o coração das pessoas levar alegria.

Ao perguntar sobre início da carreira:

Comecei a tocar quando meu irmão mais velho que tinha 15 anos ele tinha uma gaitinha 4 baixos e ele saiu para o campo onde tínhamos uma pequena fazendinha em Soliedad, quando ele saia para o campo eu aproveitava e corria pegar a gaitinha dele a qual ele tinha muito ciúmes. Eu pegava e corria me esconder embaixo de árvores para tocar e ia criando alguma coisa . Onde mais tarde veio o pai do João Luiz Corrêa. Passando por ali, ele que já era um grande gaiteiro o João Maria de Jesus, ele nunca tinha moradia certa, ficava um dia na casa de um outros na casa de outros como era um homem muito respeitador todos queriam muito bem dele, e com ele aprendi muita coisa ele me ensinou muito e inclusive a primeira gaita eu comprei dele em troca de uma novilha para ele me ensinar a tocar mas ele se encantou pela minha linda irmã, ele queria namorar com ela é veio a se casar com ela que é a mãe do João Luiz Corrêa.

Foto de 1969 Chiquito e Gildinho com o disco “Os trovadores do Sul “

Nos 15 anos eu sonhava sempre em ser um gaiteiro, mas nunca sonhei com o sucesso, sonhei em viver cantando, até inclusive tenho uma música que fala sobre viver cantando. Então, em 30 dias que comprei a gaita do João eu comecei já a tocar nos pequenos bailes nesta época eu sabia apenas 6 músicas, e destas músicas eu transportava ela repetia umas 4 vezes cada música nos baile, cada música só trocava o ritimo é animava os bailes, da minha maneira de ser disposto animar baile embora o João era dos grandes acordionistas e ele começou a perder espaço para mim nos pequenos bailes no interior naqueles bailes de chão batido, eu tocava em todos eles, inclusive mais tarde, ele podia para levar ele para ajudá-lo, então é u sempre tive uma estrela muito forte que sempre me guiou, então nós 1 anos eu já tocava bailes animados, e não via a hora de ir servir completar meus 18 anos. Então quando chegou a época de fazer a inspeção de saúde foi em Soledade no dia eu esqueci meu certificado dai o tenente me disse: o que tu veio fazer então? Esqueci e para mim voltar era longe da cidade, e só o outro dia, pois ônibus só tinha uma vez por dia. Dai então, ele me designou ir com uma turma de outra cidade, fui com está turma de outra cidade e foi a maior sorte do mundo, porque o pelotão fomos para cidade de interior de Rosário do Sul, era São Simão, tinha um quartel, e não gostaram de ficar lá foram para a cidade grande e eu fui junto então para mim foi uma escola muito grande dai fui servir no quartel em Porto Alegre e dali eu ia assistir os grandes programas de rádio na época o rodeio Coringa depois veio rodeio Farroupilha , mas na época era o coringa, então eu assistia aqueles gaiteiros, cantores todos domingo a ia lá. Tinha antes um programa na rádio gaúcha ” festança na querência ali eu assistia aquele programa depois ia para a rádio farroupilha, então a rádio tem uma influência muito grande na minha carreira, inclusive depois que passou tudo isto, eu coloquei o pé no mundo , sai do quartel voltei em casa e vi que eu tinha que voar maus alto, dai botei o pé na estrada e com direção a Chapecó chegando lá o gerente da rádio senhor Boner me convidou para fazer um programa de rádio, 4 músicas e dai fiquei tocando uma hora e pouca no programa do Rock, e ali começou tudo, minha carreira. Dai apareceu Pedro Melo gaiteiro, de Erval Grande e trousse de volta ao RS e ali um vendedor de rádio me trousse a Erechim/RS para mim tocar nas boates aqui em Erechim foi numa escola para mim dai Oneide Bertussi me convidou para fazer uma dupla com ele porque ele estava se separando com Adelar eu fui para lá fiquei 8 dias na casa de um amigo dele, mas ele me disse: Olha Jino até podemos fazer uma dupla boa cantando mas para tu substituir Adelar não dá eu sempre tive um gaiteiro melhor ao meu lado, e você ainda não está no ponto, então me deu um nome de método de acordeon para mim estudar música e cheguei aqui em Erechim/RS me matricule na escola de belas artes e me formei em música aqui .

Tudo que enfrentei muitas dificuldades início muitas mesmo, tendo que depender dos outros, morava de favor. Depois surgiu um programa de rádio para mim e fiz um ano sozinho até que busquei meu irmão o Chiquito e formamos a dupla que marcou muito a minha vida ele também estudou muito e fomos para São Paulo e gravamos e sorteavamos discos nos bailes e íamos ganhando um troquinho, e uma lembrança daquela época.

Os monarcas o início: nós tínhamos dupla e eu escutei o Neide Bertusdi cantar uma música era no rodeio de Vacaria, uma música que falava monarca das cochilhas, dai perguntei para locutor da rádio de Erexim o que era Monarca, dai ele disse na época da monarquia é um rei , dai não serve para nome de um conjunto que você acha ? excelente, então no outro dia já coloquei o nome na rádio “Os Monarcas” , dai fui garimpando músicos para tocar com nós.

Resumindo Gildinho passou a animar pequenos bailes na região, em 1966, o convite para apresentar o programa “Assim Canta o Rio Grande”, na Rádio Erechim, que esteve no ar até 1984.
Em 1967 boleou a perna para Erechim o Chiquito, irmão caçula de Gildinho e Herdeiro da mesma paixão pela música. Unindo forças formaram a dupla “Gildinho e Chiquito”, que foi o embrião do conjunto musical OS MONARCAS. Sem dúvida que a dupla de irmãos gaiteiros passou por momentos difíceis. Durante alguns anos penaram trabalhando exclusivamente em pequenos bailes na região de Alto Uruguai, apresentando diariamente o Programa “Assim canta o Rio Grande” e estudando acordeom na Escola de Belas Artes.
Em 1969, apareceu em Erechim um compositor sertanejo em busca de novos valores. Benedito Seviero preparou a dupla “Gildinho e Chiquito” para gravar o seu primeiro disco. Porém, o esperado LP transformou-se numa decepção para a dupla, que viu seus anseios limitar-se a um inexpressivo compacto duplo, que hoje, é amarga lembrança de um tempo em que a música gaúcha encontrava caminhos pouco acolhedores para sua expansão.

Que Deus ilumine sempre nesta linda trajetória da sua vida na música gaúcha, que continue levando a mensagem através da música de verdadeira essência, lembro-me desde criança lá no sítio quando me querido já falecido avô que logo que acordava ligava o rádio para escutar suas músicas e ali começar sua Jornada de lida no campo. Muito Sucesso Gildinho! gratidão.

Por Sandra Rosa

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