Cultura

A HUMILDADE DO BAITACA

Por Léo Ribeiro de Souza

Parece que a reclusão ocasionada pelo Coronavírus fez vir a tona uma outra criatividade artística, isto é, a do mundo das lives. O que tem de gente fazendo live não é normal. Pessoas com saudades dos palcos da vida extravasam seus dotes de cantores, declamadores, e até seu dia-a-dia privado através de um vídeo caseiro. Desafios pra lá, desafios pra cá, desafios aceitos, desafios de fotos sem maquiagem, preto e branco, de lugares que conheceu… Tudo é motivo para não ficar no esquecimento ou chegar mais perto do seu público embora a distância. Acho isto interessante pois ajuda a distrair as pessoas nestes tempos bicudos.

E nem todas as lives são cansativas, com mais conversa do que música. Já a live do cantor Baitaca causou ciumeira, acreditem, pelo número de acessos que teve. Mais de dois milhões, chegando a bater o número de visualizações de artistas nacionais, como cantores sertanejos. O que fico triste é que comentários jocosos vieram de alguns colegas gaúchos. Se não tem união, minha gente, não tem solução. Por sua vez, dentro de sua humildade, parecendo adivinhar o que viria, Baitaca disse respeitar todo o tipo de música.

Também não acho a música Do Fundo da Grota um primor mas nem por isso vou deixar de reconhecer sua popularidade ou mesmo desdenhar da pessoa Baitaca, um homem humilde que por pouco não foi morador de rua, como ele mesmo diz, se manifestando contrariado quando chamam alguém de mendigo: – Antes de tratar assim essas pessoas sem sorte, tire dez pilas do bolso e alcance a elas – disse Baitaca, índio velho que sem produção alguma colocou seu celular plugado ao computador e com seu jeito simples de ser arrastou uma multidão que muitos artistas de renome vão levar dezenas de lives para alcançar.

Como dizia o saudoso Paixão Côrtes: – fazer o simples é o mais complicado.

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